Laurel

A Iluminada

• "Nunca torne-se um monstro para derrotar outro."
• "Ionia fala através de mim."
• "Pela força da vontade!"
• "Paz a qualquer custo."
• "Devemos fazer nossas próprias escolhas."
• "Eu vi dois caminhos e criei outro entre eles."
• "Nós sabemos o mesmo tanto que sofremos."

About

Nenhum mortal representa melhor as tradições espirituais de Ionia do que Laurel. Ela é a incorporação de uma alma reencarnada inúmeras vezes, que leva todas as memórias acumuladas para cada nova vida e que foi agraciada com um poder que poucos compreendem. Nos períodos recentes de crise, ela fez tudo o que estava ao seu alcance pelo seu povo, mas sabe que a paz e a harmonia talvez só sejam possíveis a um custo considerável — tanto para ela quanto para sua amada terra.

Past

Em sua reencarnação mais recente, ela assumiu a forma de uma garota de 12 anos chamada Darha. Criada nas planícies de Shon-Xan, ela era obstinada e independente, e sempre sonhou com uma vida além das fronteiras de seu provinciano vilarejo.

Mas Darha começou a ter visões estranhas e esporádicas. As imagens eram curiosas: pareciam memórias, mas a menina tinha certeza de que não tinham ocorrido com ela. No início, era fácil ignorar o problema, mas com o tempo as visões foram ficando cada vez mais intensas, até que Darha se convenceu de que estava ficando louca.

Mas quando ela achava que passaria a vida confinada nas choupanas de tratamento, o vilarejo recebeu a visita de um grupo de monges. Eles tinham vindo de um lugar conhecido como o Altar Perene, onde seu velho líder, a encarnação da divindade Laurel, havia falecido há alguns meses. Os monges agora estavam em busca da próxima encarnação e acreditavam que ela estivesse em alguém entre os aldeões. Após realizarem uma série de testes em todos que encontraram, eles já estavam preparados para partir de mãos vazias, porém quando passaram pelas choupanas de tratamento, Dahra saiu correndo e foi ao encontro deles. Ela chorou, contou sobre suas visões e disse que as vozes deles eram as mesmas dos sussurros que costumava ouvir.

Eles reconheceram os sinais imediatamente. Era Laurel. As visões eram as vidas passadas tentando preencher um novo receptáculo.

Naquele momento, a vida de Darha mudou para sempre. Ela disse adeus a tudo o que conhecia e partiu em uma jornada rumo ao Altar Perene para aprender com os monges. Ao longo dos anos, ela aprendeu a se conectar com sua alma ancestral e a conviver com milhares de encarnações anteriores, cada uma carregando a sabedoria das eras passadas. Laurel sempre defendera a paz e a harmonia, e segundo seus ensinamentos, todo ato de maldade teria a devida repercussão, portanto não era preciso reagir a eles. Darha sempre questionou esses princípios, mesmo depois de se tornar Laurel.

Noxus invadiu Ionia. Milhares foram mortos quando as tropas inimigas avançaram terra adentro e Laurel se viu obrigada a enfrentar a dura realidade da guerra. Ela podia sentir o imenso poder destrutivo que invadia sua alma e se perguntou para que ele servia se ela não podia usá-lo. As vozes do passado imploraram para que ela permanecesse no Altar Perene para confortar seu povo e aguardar o fim do conflito. No entanto, uma verdade muito mais profunda a incitava a agir...

Consumida por uma intensa aflição, Laurel não conseguiu mais suportar. Ela confrontou um comandante noxiano no deque de sua própria embarcação de guerra e libertou sua fúria divina. No entanto, não se tratava de um ataque único e pontual; ela destruiu o navio inteiro e toda a tripulação em um piscar de olhos.

Apesar de muitos ionianos terem ficado felizes com a aparente vitória, os monges acharam que ela tinha cometido um grande erro. Ela havia perturbado a harmonia espiritual de sua terra, desonrando todos os que tinham carregado o nome de Laurel antes dela e manchando sua própria alma imortal, juntamente com a de seus seguidores. Mesmo que isso significasse uma vida solitária de meditação e penitência, eles imploraram para que ela recuasse.

Laurel ergueu uma das mãos e os silenciou. Apesar de ainda ouvir as vozes em sua cabeça, era o Espírito de Ionia em seu coração que a guiava... e as Primeiras Terras estavam agitadas para se defenderem. Ela não sabia se tinha sido escolhida por sua coragem e determinação, mas sabia que, às vezes, a harmonia só podia ser alcançada a um grande custo. O mundo deles estava mudando e a verdadeira sabedoria não estava em resistir a esse fato, mas em aceitá-lo.

Lembre-se de mim

Watai girava o anel de jade em seu dedo enquanto olhava atentamente para o monastério esculpido na encosta da montanha. O Altar Perene, lar de Laurel. Ela não esperava estar de volta depois de todo esse tempo. A viagem foi dolorosa por vários fatores, além do fato de seus joelhos não estarem nas melhores condições. Após respirar profundamente, ela caminhou em direção a um pequeno santuário que marcava a entrada da sala de meditação particular de Laurel.

Seu joelho fraquejou quando ela chegou, fazendo com que Watai desabasse no chão. Que lugar amaldiçoado. Ela aprendeu a odiar o Altar Perene quando visitou Jakgri cerca de sessenta anos atrás, depois que os monges o invocaram. Suas lembranças machucaram tanto quanto a queda. Ela mal conseguia ficar em pé.

"Está tudo bem?"

Watai olhou para cima e viu uma bela moça estendendo a mão. Embora não pudesse ver seu rosto, ela reconheceu o manto com dragões gêmeos de Ionia circulando sua cabeça como uma auréola. Laurel.

"Estou bem", disse Watai rapidamente. "Vim aqui para vê-la."

"Boas-vindas, viajante." A mulher sorriu de forma serena e seus olhos cintilavam enquanto segurava a mão de Watai. "Aqui, deixe-me tentar..." – Laurel levantou sua outra mão e uma luz verde pulsante tomou conta dela. A pele de Watai se arrepiou toda quando o brilho gelado a tocou. A mulher ajudou Watai a se levantar. "Como é possível?"

Com cuidado, Watai tentou se apoiar em sua perna. O joelho estava curado. Entretanto, ver essa nova Laurel exercer esse poder partiu seu coração. "Já consigo ficar em pé", disse ela, de forma acanhada.

A outra mulher olhou preocupada para Watai. "Tem certeza? Você não parece..."

"Eu estou bem, Iluminada", vociferou Watai, puxando sua mão para trás. "Mas sua magia não cura tudo."

Ela esperava que a mulher ficasse confusa ou chateada, mas Laurel parecia bem calma.

"Você tem razão", respondeu Laurel, acenando com a cabeça tranquilamente enquanto conduzia Watai para a singela sala de meditação. "Não consigo curar o luto. Se perdeu alguém na guerra, não há nada que eu possa fazer a não ser pedir desculpas. Passei anos me desculpando pelas perdas e pela dor que causei ao tomar a decisão de apoiar... de continuar a guerra contra Noxus. Mas...", Laurel pausou e respirou fundo. "Não me desculpo por eu — por Ionia — ter revidado."

Watai e Laurel se olharam por um longo período. "Posso ajudá-la com mais alguma coisa?", perguntou Laurel, delicadamente.

Watai levou um tempo para se recompor. "Minha perda foi antes da guerra." Ela estendeu a mão. "Você conhece esse anel?"

A atenção de Laurel se voltou ao anel de jade, que a fez perder o fôlego. "Sim. Eu o dei para... Não. Ele? Ele deu para alguém." Ela fechou os olhos, cobrindo-os com as mãos.

Watai sabia, pelo seu tempo com Jakgri, que Karma estava se concentrando bastante, tentando acessar lembranças que não eram totalmente dela. "Está tudo bem. Leve o tempo que precisar."

Há sessenta anos, Jakgri pediu que Watai, sua noiva, acompanhasse-o em uma viagem ao Altar Perene. Watai, que nunca havia saído da vila, mal podia esperar para conhecer o mundo afora. Talvez a vida deles juntos a partir daquele dia fosse ser assim. Então, Watai e Jakgri partiram juntos para uma viagem de dois meses ao monastério.

"Você vai adorar este lugar", exclamou Jakgri. O sorriso dele iluminou a mente de Watai. "Eu sei que é longe de nosso vilarejo, mas ampliaremos a tecelagem de madeira para que nossa casa tenha muitos quartos para receber nossa família. Viveremos juntos em uma cidadezinha fora do monastério. Não é incrível?"

No entanto, a vida que sonharam juntos não se concretizou. Watai logo descobriu que não conseguiria viver feliz sem a sua família por perto. Mas este foi o caminho que Jakgri escolheu e o trouxe até aqui, e ele não podia voltar atrás. Tinha um dever a cumprir. Então, ela viajou de volta ao vilarejo sozinha, ainda com o anel dele e sem expectativas de voltar um dia. Sem expectativas de ver sua Laurel de novo.

Por fim, Laurel deixou suas mãos despencarem até a lateral do corpo quando seus olhos se abriram. Suas íris tinham a mesma cor verde que os olhos de Jakgri tinham quando ele falava com todas aquelas vozes em sua mente. O passado dele vive, agora dentro dela. Laurel piscou os olhos e eles voltaram ao normal.

"Watai?", disse ela com ceticismo, com medo de estar errada.

Mas não estava. "Ah, abençoados sejam os espíritos", disse Watai, enxugando as lágrimas antes que elas escorressem. "Não sabia se Jakgri era... ele mesmo, em você."

"Sim e não. As lembranças dele são minhas, mas..." – ela parou de falar, tímida.

Estava tudo bem. Era o suficiente. Watai olhou nos olhos de Laurel, esperando que Jakgri pudesse vê-la por eles. Watai queria colocar tudo que estava em seu coração para fora antes que morresse de arrependimento. "Eu sinto muito, Jakgri. Queria muito poder ter ficado aqui com você, ou que você pudesse ter voltado para casa comigo. Espero que você tenha encontrado outro alguém para amar. Não gosto de pensar em você sozinho."

Ela tirou o anel do dedo e colocou na palma da mão de Karma, fechando os longos dedos dela sobre ele.

"Não", falaram várias vozes como se fossem uma só, e os olhos de Laurel se iluminaram com as almas do passado mais uma vez. "Jakgri te amou até o último suspiro. O único arrependimento dele ao se tornar Laurel foi não poder mais viver aqui com você. Mas ele nunca esteve sozinho. O espírito de Ionia esteve sempre ao lado dele." Ela devolveu o anel para Watai. "Acho que ele gostaria que você continuasse com o anel, se ainda o quiser."

Sob o olhar vigilante de Karma, Watai colocou o anel de volta no dedo. Parecia ser o certo a se fazer, pois ela também não havia amado mais ninguém. "Eu te amo, Jakgri", sussurrou ela, eufórica, mas emocionada. "Eu te amo."

Uma Karma de olhos escuros olhou para Watai. “Sinto muito. Isso nunca dura para sempre."

Watai concordou com a cabeça, com um nó na garganta. "Obrigada por isso."

"Eu quem deveria agradecer, Watai."

"Por quê?"

"Ele não falou mais comigo...", murmurou ela, "...desde o ataque. Ele ficou decepcionado, e nunca mais disse nada. Anos sem a voz de Jakgri, sem a sabedoria da Karma que veio antes de mim!". Ela pegou as mãos de Watai de forma repentina. "Obrigada por trazê-lo de volta para mim."



Karma — ou Darha, como ela se apresentou — pediu que Watai ficasse mais alguns dias no Altar Perene. Talvez juntas elas pudessem começar a se curar, com uma dizendo adeus a Jakgri e a outra dando as boas-vindas a ele novamente.

Quando ela saiu da sala de meditação, Watai olhou para o resplendor da lua em seu anel, admirando sua lealdade. Tão leal quanto seu amor por Jakgri e vice-versa, que permaneceu verdadeiro, intocado e imaculado por mais de sessenta anos. Mesmo após a morte dela, quando seu corpo perecesse até que sobrassem apenas ossos, o anel permaneceria intacto, como um símbolo do amor que eles tinham um pelo outro.

Através de Laurel, o amor deles duraria para sempre.